Undersong



“A poesia é, de muitas maneiras,
a única linguagem que tenho à minha disposição para dizer certas coisas,
e este poema é um exemplo disso.
Como poeta do Sul,
eu quis prestar homenagem à paisagem visual que nos conecta,
para evocar os lugares que nós dois já estivemos,
em um esforço para encapsular nossa origem,
mesmo quando longe de lá estavão,
nossos pensamentos, nossas ações e nossas palavras.”
Stacey Lynn Brown


“Undersong"é tanto uma elegia quanto uma ode ao poeta Jake Adam York, que morreu aos 40 anos de idade, em dezembro de 2012. Um cadenciado lamento lírico para um poeta extraordinariamente profundo, corajoso, sabio e de grande empatia. Ele dedicou grande parte de sua vida profissional escrevendo poesias de tom terno e triste para cada homem, mulher e criança martirizada no movimento dos direitos civis antes de sua morte em 2012. Um homem branco do Alabama que enfrentou os desafios, as implicações e devastação gerada pelo racismo.

O uso de assonância, aliteração e rima interna cria uma canção dentro de uma música, como se o poema encontrasse sua própria voz e direção, a sua própria música
Fala tanto sobre a pessoa que está perdida, como também sobre aqueles que ele deixa para trás e que são forçados a seguir o seu caminho. Evoca a paisagem, tanto visual quanto sonora, usando as descrições e detalhes físicos do Alabama, bem como as técnicas musicais usadas para transmitir as ondulações do dialeto e o balançar de um sotaque sulista.

"Undersong" é um poema relacionado ao tema da perda. É universal em sua capacidade de evocar o que a maioria de nós vivemos em determinado momento de nossas vidas.
Devemos sempre nos lembrar de “seguir em frente", mesmo quando o sofrimento é indescritível ou supostamente insuperável, quando ficamos “sem chão” e não encontramos a saída.
Muitas vezes é necessário cair, chorar, nos enlutar, fazer uma introspecção, e, só depois, nos levantar e encontrar a porta de saída, a luz que nos rodeia, e “seguir em frente”. Cada um tem seu tempo, e isso deve ser respeitado, mas não deixar se tornar eterno.

Uma ode de Stacey Lynn Brown ao falecido poeta Jake Adam Iorque ganha vida através de desenhos de Matt Smithson de sua paisagem nativa do sul.

Undersong
para Jake Adam York, 1972-2012

In the timpanied tenor of penny arcades,
The red roofs of rusted tin shacks, hollowing,
In the plinking half notes of bare bulb juke joints,
We hear your song:
On stilts in swamps near gators half-breezing,
In the boiled brass cauldron bouillabaisse
Bubbling, in the brined ribs and brisket slow
Smoked in brick pits, we hear
Your song in the scorched afterburn of good bourbon,
In the cracked red clay of dirt roads undriven,
In the low aching moan of loblollies
Swaying, we hear your
Song in the spluttering mutter of combines
Grinding, in the shape note singing of clapboard
Congregations, in the churchyards and graveyards
Mossed over, tall grasses,
In the tune a child hums licking clean greasy
Fingers, in the off-pitch whistle for a redbone
Come running, in the symphonied cicadas, the tree
Frogs tirruping, in the deep
Breath beginnings of an old story, summoned,
In the borrowed voices of the exhumed and revived,
In all of the places where you’ll never again be, Jake,
We are listening for you.
Stacey Lynn Brown
 

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