São Francisco de Assis




"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível" 
São Francisco de Assis


Benozzo Gozzoli Pregação de São Francisco aos animais e aos homens, 1452. Convento de São Fortunato, Montefalco
Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis nasceu em 05 de julho de 1182, na cidade de Assis, Itália. Filho de rico comerciante de tecidos, freqüentemente viajava para a França, de onde trazia a maior parte de suas mercadorias. 

Jovem orgulhoso, vaidoso e rico, era alegre e aproveitava as noites e as festas, estando sempre presente em banquetes e serenatas pela cidade. 

Em 1201, Francisco partiu para uma guerra na cidade de Perúsia, encorajado pelo pai e pelo desejo de obter fama e mais dinheiro. Porém, foi tomado como prisioneiro e assim permaneceu por meses, até conseguir sua libertação.

Retornando ao lar, Francisco é acometido pela fraqueza, provavelmente conseqüência dos tempos de prisão. A partir desse momento, Francisco passa a sentir-se e também a agir de maneira diferente.

Certo dia saiu em um passeio pelos campos nos arredores, e ao penetrar em uma clareira ouviu o som do sino que os leprosos, proscritos pela sociedade, deviam usar para indicar a sua aproximação, e logo se viu frente a frente com o homem doente. Fazia frio e o leproso tinha apenas trapos sobre o corpo. Francisco sempre sentira repulsa dos leprosos, mas nesse momento desceu de seu cavalo e cobriu o homem com seu próprio manto. Espantado consigo mesmo, olhou nos olhos do outro, e viu sua gratidão, e enquanto ele mesmo chorava, beijou aquele rosto deformado pela moléstia. Este parece ter sido o ponto de virada em sua vida, mas sua vocação não se declarou toda subitamente, e a cronologia desses e outros episódios preparatórios para sua conversão não é clara nas fontes antigas.

Com 24 anos, renunciou a toda riqueza e as coisas mundanas. Volta-se para a oração e para ajudar pobres e leprosos. Sua atitude foi original também quando afirmou a bondade e a maravilha da Criação num tempo em que o mundo era visto como essencialmente mau, quando se dedicou aos mais pobres dos pobres, e quando amou todas as criaturas chamando-as de irmãos. Alguns estudiosos afirmam que sua visão positiva da natureza e do homem, que impregnou a imaginação de toda a sociedade de sua época, foi uma das forças primeiras que levaram à formação da filosofia da Renascença.

Entrou em conflito direto com o pai, quando vendeu todas as suas mercadorias para dar dinheiro aos pobres e comprar material de construção, para completar a reforma de uma igrejinha. Com isso, acabou sendo deserdado. 

Muito jovem, aos 25 anos, sem herança, pobre de bens, mas rico de amor entrou de vez para a vida religiosa, fundando a Ordem dos Frades Menores e a Ordem Terceira.

Pediam esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes. A partir daí, Francisco dedica-se a viagens missionárias: Roma, Chipre, Egito, Síria... Peregrinando até aos Lugares Santos.

Quando voltou à Itália, em 1220, encontrou a Fraternidade dividida. Parte dos Frades não compreendia a simplicidade do Evangelho. Em 1223, foi a Roma e obteve a aprovação mais solene da Regra, como ato culminante da sua vida.

Foi em 1224 que Francisco recebeu, no Monte Alverne, os estigmas de Jesus crucificado em seu próprio corpo.

São Francisco de Assis retira-se então para a Porciúncula, onde morre, em 3 de outubro de 1226. Foi canonizado pelo papa Gregório 9º dois anos após sua morte, em 16 de julho de 1228.

Giotto A verificação dos estigmas de São Francisco após sua morte, 1297-1299-Basílica de São Francisco de Assis, Assis

Para Francisco toda a Criação estava intimamente interconectada, e para ele era fácil transitar de um nível espiritual para outro e apreciar os múltiplos significados que extraía de sua leitura do "livro da natureza". Foi por descobrir e aceitar os mais baixos estratos da Criação como partes do mundo dotadas de significado e dignidade inerentes que ele se tornou uma das figuras mais importantes da história ocidental. 

Essa forma de ver o mundo ficou expressa com clareza no seu Cântico ao irmão Sol, ou Cântico das Criaturas, onde chamou o vento, o sol, a lua, o fogo e outros elementos do mundo de irmãos e convidava a todos celebrarem juntos a maravilha do mundo e servirem com alegria ao seu autor.

Neste poema, que além de possuir altas qualidades estéticas marcou o nascimento da literatura vernacular italiana, ele deu um testemunho ao mesmo tempo de sua visão integrada da realidade e do amor que sentia por ela, o que transparece ainda em diversos relatos posteriores de seus biógrafos e nas inúmeras histórias onde os animais estão presentes como co-protagonistas, sempre tratados como irmãos e não raro, doutrinados como se fossem pessoas, aproximando-se dele espontaneamente mesmo quando selvagens e dando sinais de compreenderem suas palavras ao obedecerem suas instruções, e nas que contam como andava reverente sobre as rochas ou admirava as flores cheio de júbilo, ou quando defendeu as árvores recomendando aos lenhadores que não cortassem seus troncos muito embaixo, a fim de que elas pudessem renascer.

O Cântico também sintetiza o significado profundo e a função essencial da prece para Francisco, o de sempre glorificar a Deus e abençoar o mundo pela palavra e pelo trabalho. A natureza para ele era digna de apreço e admiração porque era uma expressão da divindade onipresente. 

Cântico ao irmão Sol, ou Cântico das Criaturas




Altíssimo, onipotente e bom Senhor, 
A ti subam os louvores, a glória e a honra e todas as bênçãos!

A ti somente, Altíssimo, eles são devido,
E nenhum homem é sequer digno de dizer teu nome.

Louvado sejas, Senhor meu,
Junto com todas tuas criaturas,
Especialmente o senhor irmão sol,
Que é o dia e nos dá a luz em teu nome.
Pois ele é belo e radioso com grande esplendor,
E é teu símbolo, Altíssimo.

Louvado sejas, Senhor meu,
Pela irmã lua e as estrelas,
As quais formaste claras, preciosas e belas.

Louvado sejas, Senhor meu,
Pelo irmão vento,
E pelo ar, pelas nuvens e o céu claro,
E por todos os tempos, pelos quais dás às tuas criaturas sustento.

Louvado sejas, Senhor meu,
Pela irmã água,
Que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.

Louvado sejas, Senhor meu,
Pelo irmão fogo,
 Por cujo meio a noite alumias,
Ele que é formoso e alegre e robusto e forte.

Louvado sejas, Senhor meu,
Pela irmã, nossa mãe, a terra,
Que nos sustenta e nos governa,
E dá tantos frutos e coloridas flores,
E também as ervas.

Louvado sejas, Senhor meu,
Por aqueles que perdoam por amor a ti
E suportam enfermidades e atribulações.

Benditos aqueles que sustentam a paz,
Pois serão por ti, Altíssimo, coroados

Louvado sejas, Senhor meu,
Por nossa irmã, a morte corpórea,
Da qual nenhum homem vivo pode fugir.

Pobres dos que morrerem em pecado mortal!
E benditos os que a morte encontrar
Conforme à tua santíssima vontade,
Pois a segunda morte não lhes fará mal.

Louvai todos vós e bendizei o meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E o servi com grande humildade!



Mosaico de Maria Ludgera Haberstroh ilustrando o Cântico das Criaturas, na Liebfrauenkirche, Innenhof
A popular Oração de São Francisco”, Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz..., não é de sua autoria, tendo sido escrita em 1913 e publicada em um magazine francês anonimamente.
 
São Francisco de Assis - Filme Completo




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